Fundação Cobra Coral rompe parceria climática com Argentina após falas de Milei
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A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), que se apresenta como uma organização capaz de intervir espiritualmente em desequilíbios climáticos, afirmou que a assistência climática prestada à Argentina está suspensa. Segundo a entidade, o país ficará por sua própria responsabilidade durante o período mais intenso do fenômeno El Niño.
A medida foi anunciada após uma série de declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra autoridades brasileiras. A fundação condiciona a retomada da assistência a um pedido formal de desculpas por parte do mandatário.
“Fundação Cacique Cobra Coral suspende assistência climática para a Argentina, que vem desde a Guerra das Malvinas e o governo Alfonsín. Se o Brasil está longe de romper relações com a Argentina, do lado da fundação ocorreu um ataque político ao nosso país e, enquanto não houver um pedido formal de desculpas, na área climática, a Argentina estará por sua conta e risco, em pleno início da atuação do fenômeno El Nino”, afirmou uma postagem nas redes sociais da fundação.
Ao g1, o porta-voz da Fundação Cacique Cobra Coral, Osmar Santos, informou que a entidade manteve convênios com todos os governos argentinos desde a Guerra das Malvinas e a gestão de Raúl Alfonsín, o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura militar no país. Segundo ele, Javier Milei foi o único governante a não renovar o acordo.
“Nós não procuramos os governos, esses convênios são totalmente isentos de ônus. Não tem custo para eles. Não somos nós que vamos atrás”, disse Santos.
De acordo com o porta-voz, os convênios são renovados a cada mudança de governo. Para isso, a nova gestão envia uma carta de intenções que formaliza o compromisso. O apoio oferecido pela fundação, segundo ele, não gera custos aos cofres públicos.
“A fundação não faz previsão para esses governos, faz alteração do clima”, disse o porta-voz.
Embora não haja cobrança financeira, a entidade afirma exigir dos governos uma contrapartida relacionada à preservação ambiental, como demonstração de compromisso com o equilíbrio ecológico.
“Eles mandam relatórios dizendo que estão desassoreando os rios, plantando árvores, reflorestando. O que eles fazem é o que todo mundo deveria fazer”, disse Santos.
Crise diplomática
A declaração da fundação ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina. Durante uma convenção do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo no sábado (25), que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República pela legenda, Javier Milei fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “presidiário”, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que classificou como “lixo careca”, após ter sido impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No domingo (26), em entrevista a uma rádio argentina, Milei também acusou o Brasil de liderar uma campanha anti-Argentina durante a Copa do Mundo. Já na segunda-feira (27), compartilhou em uma rede social publicações com críticas ao presidente Lula.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações do presidente argentino como “lamentáveis”. O embaixador da Argentina no Brasil foi convocado para prestar esclarecimentos sobre as falas de Milei, enquanto o representante diplomático brasileiro em Buenos Aires também foi chamado para discutir a relação entre os dois países.
A Fundação
A Fundação Cacique Cobra Coral afirma ter sido criada com o objetivo de intervir em desequilíbrios da natureza provocados pela ação humana. Atualmente, apenas uma pessoa é responsável por incorporar o espírito que dá nome à instituição: a médium Adelaide Scritori.
Ela assumiu essa função após a morte de seu pai, Ângelo Scritori, fundador da entidade, falecido em 2002, aos 104 anos. Segundo a fundação, o espírito do Cacique Cobra Coral seria capaz de influenciar fenômenos climáticos.
No Brasil, a instituição conta que já prestou apoio ao governo federal e a diferentes governos estaduais. Com sede em Guarulhos, todos os que trabalham na fundação atuam de maneira voluntária.
Fonte: G1

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