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01/05/2026 09:46
Pesca e Aquicultura

Com limite maior de captura, safra da tainha 2026 começa nesta sexta e reforça tradição da pesca artesanal no Litoral catarinense

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A partir de sexta-feira, 1º de maio, Santa Catarina dá início a uma das temporadas mais tradicionais do seu Litoral: a safra da tainha. Mais do que uma atividade econômica, a pesca da tainha representa um patrimônio cultural que mobiliza comunidades inteiras, especialmente por meio da pesca artesanal, transformando os ranchos instalados nas praias em espaços de trabalho, convivência e preservação de costumes históricos.

Para a safra de 2026, uma nova portaria publicada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente estabelece regras, limites de captura e medidas de monitoramento da atividade.

A normativa leva em consideração a avaliação mais recente do estoque da espécie, realizada em 2025, e amplia em cerca de 20% o limite total de captura em relação aos anos anteriores. No litoral catarinense, onde a pesca da tainha possui forte relevância econômica e cultural, foram definidas cotas específicas para cada modalidade.

Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Arquivo / SECOM
O emalhe costeiro de superfície contará com limite de 2.070 toneladas para as regiões Sudeste e Sul. Já o emalhe anilhado terá cota de 1.094 toneladas, com atuação restrita ao mar territorial de Santa Catarina e limite de 15 toneladas por embarcação, com tolerância adicional de 20%.

Para o arrasto de praia, modalidade diretamente ligada à pesca artesanal e aos ranchos de praia, a cota será de 1.332 toneladas. Em Santa Catarina, foram emitidas 419 licenças para essa modalidade, reforçando sua importância social e econômica no estado. Já o cerco/traineira terá limite de 720 toneladas, com operação também na Zona Econômica Exclusiva. Foram credenciadas 15 embarcações industriais nessa modalidade, e a cota será dividida entre elas, resultando em 48 toneladas por embarcação.

Calendário por modalidade 

Além das cotas, a portaria também definiu o calendário oficial da temporada de pesca para cada modalidade em 2026. A pesca por cerco/traineira estará autorizada entre 1º de junho e 31 de julho. O emalhe anilhado poderá operar de 15 de maio a 31 de julho.

As embarcações de emalhe costeiro de superfície com até 10 AB terão autorização entre 15 de maio e 15 de outubro, enquanto aquelas acima de 10 AB poderão atuar de 15 de maio a 31 de julho. Já o arrasto de praia, uma das modalidades mais tradicionais do litoral catarinense, terá temporada aberta de 1º de maio a 31 de dezembro.

A pesca por arrasto de praia ganha destaque por manter viva uma prática centenária das comunidades tradicionais. Nos ranchos espalhados pelo litoral, pescadores, famílias e moradores se unem em um esforço coletivo que envolve vigília, preparo das redes, puxadas e divisão da produção, reforçando laços sociais e culturais transmitidos entre gerações.

Foto: Guilherme Bento / SECOM
“Estamos começando mais uma safra da tainha em Santa Catarina e os pescadores artesanais estão nos ranchos de praia que é a modalidade mais tradicional que envolve mais cultura e a tradição da pesca da tainha no nosso estado. Temos ainda a pesca industrial que tem uma importância muito grande para o setor e a economia. A nossa secretaria da Aquicultura e Pesca vai acompanhar toda essa safra. Tivemos esse ano uma cota ampliada para 20%  em média para todas as modalidades, e o Estado vai se fazer presente com esse acompanhamento porque nós queremos que o pescador catarinense faça uma excelente safra da tainha 2026”, destacou o secretário Fabiano Müller.

O monitoramento da atividade será realizado de forma centralizada pelo programa PesqBrasil – Monitoramento, com exigências como envio de mapas de bordo e de produção, declarações de entrada e de ova, além do rastreamento por satélite das embarcações. A normativa também prevê a implantação de rastreador experimental obrigatório para o emalhe anilhado.

A portaria federal estabelece ainda critérios de encerramento antecipado das atividades. O emalhe anilhado será interrompido ao atingir 85% da cota coletiva, o arrasto de praia aos 90%, e o cerco/traineira ao alcançar 90% da cota individual por embarcação.

A pesca da tainha pelo Litoral catarinense

Santa Catarina é um dos principais estados brasileiros na pesca da tainha, atividade que se divide entre os modelos artesanal e industrial, cada um com características e áreas de atuação específicas ao longo do Litoral.

A pesca artesanal da tainha é uma das manifestações culturais mais tradicionais do estado e ocorre principalmente em praias, com o uso de redes de arrasto e forte participação das comunidades locais. Em Florianópolis, estão alguns dos principais pontos dessa prática, como as praias do Campeche, Pântano do Sul, Lagoinha do Norte, Barra da Lagoa, Santinho, Ingleses, Praia Brava, Naufragados e Moçambique. A capital catarinense reúne dezenas de praias reconhecidas oficialmente pela prática, consolidando-se como um dos maiores polos dessa atividade no Brasil.

Foto: Guilherme Bento / SECOM
Outro destaque importante é o município de Bombinhas, onde a pesca artesanal também tem grande relevância econômica e cultural. Praias como Bombinhas, Bombas, Canto Grande, Mariscal e Sepultura concentram pescadores durante a safra, que ocorre entre os meses de maio e julho.

No Litoral Sul do estado, a tradição também é marcante, especialmente em regiões como o Farol de Santa Marta, em Laguna, além das praias do Mar Grosso e do Rosa. Nessas localidades, a pesca da tainha faz parte da identidade cultural e da subsistência de muitas famílias.

Já a pesca industrial da tainha ocorre em alto-mar, com o uso de embarcações de maior porte e redes mais amplas, acompanhando os cardumes ao longo da costa. Diferentemente da pesca artesanal, ela não está vinculada diretamente a praias específicas, mas sim a estruturas portuárias. Em Santa Catarina, os principais polos dessa atividade estão nos municípios de Itajaí, Navegantes, Laguna e São Francisco do Sul.

Para 2026, são 419 embarcações de arrasto de praia autorizadas a capturar tainhas e na pesca industrial são 15 embarcações com autorização. Já para e emalhe anilhado mais 129 embarcações estão autorizadas. São todas autorizações analisadas e liberadas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura.

Fonte: Estado.sc.gov.br

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