“A violência nem sempre é visível”: Agosto Lilás reforça importância da prevenção
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Durante todo o mês de agosto, a campanha Agosto Lilás busca ampliar a conscientização sobre a violência contra a mulher e reforçar a importância da prevenção, da informação e do enfrentamento às diferentes formas de agressão. Em Ponte Serrada, o tema também vem sendo trabalhado pela rede de atendimento do município, com o objetivo de estimular a identificação de situações de violência que, muitas vezes, não deixam marcas visíveis.
De acordo com a Assistente Social do município de Ponte Serrada, Laísa Mendes, a violência contra a mulher está presente em diferentes espaços da sociedade e nem sempre é facilmente reconhecida. Para ela, as ações de conscientização também são uma oportunidade de promover uma reflexão coletiva sobre comportamentos que podem ser considerados violentos.
“Não só nós enquanto mulher, porque eu acho que o nosso maior poder é nos conhecer. No entanto, em algum momento o homem, quando ele vai fazer uma autoanálise, ele não vai ficar enfraquecido enquanto homem. Pelo contrário, a partir do momento que ele também conseguir fazer essa autoanálise e promover mudança no dia a dia, tudo se torna mais leve e tudo se torna mais transparente na relação”, explica Laísa.
Segundo a profissional, situações que inicialmente podem ser tratadas como brincadeiras ou comentários no ambiente de trabalho, por exemplo, também merecem atenção. A reflexão proposta pela campanha busca justamente ajudar a sociedade a identificar comportamentos que podem contribuir para a violência e, principalmente, atuar antes que situações mais graves aconteçam.
“Então muitas vezes não está ocorrendo a violência. Mas, através das campanhas e sensibilização, a gente pode também prevenir”, destaca.
Violência que nem sempre é visível
Laísa também chama atenção para o fato de que a violência pode aparecer de diferentes maneiras. Além da agressão física, existem formas de violência psicológica, sexual, patrimonial e moral, que podem ser mais difíceis de identificar, mas também provocam impactos profundos na vida das vítimas.
“A violência está presente em toda a sociedade e, principalmente, no quesito de que ela não é visível muitas vezes”, afirma.
A assistente social relembra uma situação vivenciada durante um atendimento realizado há cerca de quatro anos, que, segundo ela, permanece como um dos relatos que mais a fizeram refletir sobre a realidade enfrentada por muitas mulheres.
Na ocasião, uma mulher procurou atendimento para tentar acessar um benefício socioassistencial, mas não conseguiu receber uma cesta de alimentos porque não atendia aos critérios estabelecidos. Ela estava acompanhada dos três filhos. Durante o atendimento, uma das crianças, de oito anos, abraçou a mãe e, aos prantos, pediu ajuda.
Segundo Laísa, a criança disse: “Tia, por favor, libera a cesta para a mãe, porque a mãe vai chegar em casa e ela vai apanhar de novo.”
Para a assistente social, relatos como esse mostram que a violência doméstica ultrapassa a relação entre agressor e vítima e também atinge diretamente os filhos e demais pessoas que convivem naquele ambiente.
“São relatos que fazem com que a gente reflita no dia a dia e que isso ocorra de gerações para gerações”, comenta.
Violência pode assumir diferentes formas
A profissional explica que, embora a violência física ainda seja uma realidade, atualmente existe uma maior percepção sobre formas mais sutis de agressão, que podem afetar diretamente a autoestima, a autonomia e a saúde emocional da mulher.
“A violência que a gente mais identificava, há 15 anos atrás, que era a física, hoje é a mais sutil”, pontua.
Nesse contexto, Laísa reforça que reconhecer a violência é um processo que exige informação e autoconhecimento. A mulher precisa compreender os sinais e identificar quando determinados comportamentos ultrapassam os limites de uma relação saudável.
“Será que eu, enquanto mulher, como que eu consigo lidar com a minha emoção, o meu sentimento e aquela violência que eu estou vivenciando? Seja patrimonial, seja física, sexual, enfim, e envolve o sentimento”, explica.
Para ela, as consequências não ficam restritas ao momento da agressão. A violência pode interferir na saúde emocional e mental da vítima, afetando seu equilíbrio e sua qualidade de vida.
“Tudo o que envolve o sentimento envolve a nossa saúde emocional, mental e como que é o meu equilíbrio”, afirma.
Prevenção começa com informação
O Agosto Lilás também reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher não deve acontecer somente quando a agressão já ocorreu. A prevenção, a educação e a sensibilização da sociedade são ferramentas fundamentais para interromper ciclos de violência.
Para Laísa, essa transformação acontece gradualmente e depende do envolvimento de toda a sociedade.
“É um trabalho de formiguinha, sempre digo, né? É um assunto que também tem que ser debatido com você e, sim, a gente pode mudar”, finaliza.
A campanha, portanto, vai além do uso da cor lilás ou de ações realizadas durante o mês de agosto. A proposta é estimular a sociedade a reconhecer os diferentes tipos de violência, questionar comportamentos, apoiar as vítimas e fortalecer a rede de proteção, para que cada vez mais mulheres possam romper ciclos de agressão e buscar ajuda.
Fonte: Oeste+

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