Ford celebra 125 anos de competição com retorno à Fórmula 1 em projeto robusto
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A história da Ford no esporte a motor se confunde com a própria fundação da marca. 125 anos atrás, Henry Ford conquistou algo impensado para época, e isso abriu caminho para a formação da indústria automobilística nos Estados Unidos e no planeta. E tudo começou nas pistas. No dia 10 de outubro de 1901, Ford decidiu enfrentar o mundialmente famoso Alexander Winton, no Detroit Driving Club. A crença em uma vitória categórica de Winton era tanta que seu empresário pôde escolher o troféu, mas Henry tinha um plano audacioso. Com um carro revolucionário, o emblemático Sweepstakes, Ford não só venceu o experiente competidor, como atraiu investidores no que se transformou na Ford Motor Company em 1903. Agora, a marca revive esse espírito de competitividade ao anunciar um forte programa no automobilismo, que tem como ponto central o retorno à Fórmula 1 na parceria técnica com a Red Bull.
Isso porque a F1 sempre ocupou um lugar de destaque na jornada da Ford no esporte. Entre o fim dos anos 1960 e início da década de 1980, o motor V8 da fabricante dominou as pistas do Mundial, com 155 vitórias e 12 campeões mundiais, entre eles Jim Clark, Jackie Stewart e o brasileiro Emerson Fittipaldi.
Entre os anos de 1992 e 1993, Ayrton Senna e Michael Schumacher conquistaram triunfos importantes, também sendo empurrados por motores da Ford.
30 anos depois, a marca americana encontrou o caminho de volta. Em 2023, a Ford e a Red Bull decidiram se juntar e entrar em uma nova era na categoria mais importante do esporte a motor. Diante de uma mudança drástica de regulamento em 2026, a Ford terá um papel fundamental no trabalho com a hexacampeã da F1.
A fábrica do oval azul vai desenvolver ao lado da Red Bull a unidade de potência híbrida alinhada ao futuro, usando combustíveis 100% sustentáveis e aumento de potência elétrica. A parceria também envolve o segundo time da empresa dos energéticos, a Racing Bulls.
Esse talvez seja um dos capítulos mais importantes dessa trajetória, porque também será a primeira vez, desde o GP do Brasil de 2004, quando competiu sob o nome da Jaguar, que na época lhe pertencia, que a Ford vai colocar um motor, o Red Bull Ford Powertrains, no grid. E o tetracampeão Max Verstappen é quem vai liderar esse projeto na F1, ao lado do veloz Isack Hadjar, na equipe principal. Liam Lawson e o novato Arvid Lindblad compõem o time B dos austríacos.
Na noite desta quinta-feira (15), a Ford e a Red Bull exibiram as cores desta união em um evento na cidade de Detroit, nos Estados Unidos. E foi possível entender melhor os rumos dessa associação e o que esperar para o futuro. O RB22, como é batizado o novo carro, ganhou uma pintura que aproxima as duas marcas: um azul forte em um acabamento mais brilhante.
“Quando cruzamos pela primeira vez com Red Bull há quatro anos, sentimos que o orgulho deles combinava com o nosso espírito. Quatro anos depois, esta noite marcou um ponto de referência em que podemos celebrar o trabalho dedicado a este projeto incrível”, afirmou Jim Farley, CEO da Ford Motor Company.
Ainda, ratificando o DNA de competição, a montadora de Detroit não se limita apenas à Fórmula 1. Ao longo do último século, dificilmente houve uma década em que a Ford não tenha tido uma presença marcante em alguma categoria de automobilismo mundial. Desde a vitória de Red Byron ao volante de um Ford na primeira corrida da Nascar em Daytona Beach, em 1948, passando pelo quarteto de vitórias em Le Mans com o icônico GT40 nos anos de 1960, pelos igualmente sensacionais modelos Escort de rali da década de 1970 e até a vitória do Mustang GT3 na classe GTD das 24 Horas de Daytona do ano passado, a fábrica de carros de corrida tem uma história riquíssima para contar.
É que a Ford possui um legado poderoso no que diz respeito às competições de carros esportivos. Aqui é impossível não citar a incrível história da rivalidade com a Ferrari, que foi retratada no filme Ford vs Ferrari e que fala da vitória em Le Mans em 1966. Mas, embora o invencível GT40 seja o destaque indiscutível da atuação nas provas de resistência, uma nova era de grandeza está prestes a começar.
A presença da Ford nas corridas de carros esportivos em 2026 será liderada pelo Mustang GT3, que vai disputar a classe GTD do IMSA SportsCar dos EUA e na classe LMGT3 no Mundial de Endurance. Além do Mustang, a temporada deste ano será marcada pelo desenvolvimento de um projeto ainda maior: um hipercarro para 2027. A montadora está em parceria com a fornecedora francesa de chassis Oreca para desenvolver um carro para a principal categoria do WEC, sob a liderança de Dan Sayers, ex-diretor do programa de motores Ford da Red Bull.
O protótipo, com motor e construção Ford, vai estrear em Le Mans na 95ª edição da prova, em junho de 2027, reacendendo um duelo de 58 anos com a Ferrari, que venceu as duas últimas 24 Horas de Le Mans e conquistou o título geral do WEC em 2025.
Inclusive, também durante o evento da noite desta quinta-feira, a Ford anunciou o elenco para a empreitada na classe dos hipercarros do Mundial de Endurance. Além dos experientes Mike Rockenfeller e Sebastian Priaulx, que já são pilotos de fábrica na classe GTD, a montadora americana chamou Logan Sargeant, ex-Fórmula 1, para a integrar a equipe.
A Ford também revelou detalhes do motor que será utilizado no programa do WEC. A montadora optou por uma unidade V8 5.4L naturalmente aspirado, cuja versão com ajuste da M-Sport já equipa o Mustang GT3. Assim como em todos os outros protótipos LMDh, o motor Coyote da Ford será combinado com um sistema híbrido específico, desenvolvido em conjunto pela Bosch, Xtrac e Williams Advanced Engineering.
A marca esclareceu ainda que o motor será desenvolvido internamente com o time em Michigan e em colaboração com a divisão Red Bull Ford Powertrains em Milton Keynes.
No fundo, o evento todo em Michigan comprovou, uma vez mais, o compromisso da Ford em usar o automobilismo como um laboratório de inovação para seus veículos de produção. Como na apresentação da nova versão de produção do Mustang, batizado de Dark Horse SC, descrita como a mais potente e preparada para pistas já feita, com um motor V8 superalimentado e tecnologia inspirada nos modelos GT3 e GTD de corrida.
O carro passou por um profundo redesenho, priorizando a força e eficiência. A aerodinâmica, inspirada nas competições, chamou a atenção. O design do novo capô e as entradas de ar em fibra de carbono, bem como o para-choque dianteiro e as entradas de ar na parte inferior da carroceria redesenhadas, emprestou o que há de melhor nas pistas ao modelo de rua.
É essa transferência de tecnologia que faz da montadora o que a torna uma potência. Quer dizer, os veículos de rua compartilham não só da essência das pistas, mas do objetivo de vencer.
O off-road é outro traço importante na história da fabricante americana. O incrível Raptor T1 integrou o lendário Rali Dakar na temporada passada, vencendo etapa com o experiente Mattias Ekström, que foi campeão do DTM e do rallycross. Ainda ao longo do ano passado, a Ford seguiu desenvolvendo o modelo, redesenhando a carroceria para um perfil aerodinâmico mais limpo e reduzindo o peso do carro em quase 50 kg. E isso tem ajudado pilotos Carlos Sainz, Mitch Guthrie e Nani Roma na edição de 2026 do Dakar, além do próprio Ekström. A Ford Racing segue na briga na classificação geral.
A Ford também busca mais sucesso em outros grandes eventos do off-road. No topo dessa lista está a defesa das duas vitórias na edição de 2025 do famoso Baja 1000. Sem contar a performance estrondosa de James Deane, pentacampeão de Fórmula DRIFT em 2025.
Ainda falando em rali, a fabricante também está presente no Mundial de Rali, o WRC, em longa parceria com a M-Sport. Em 2026, Jon Armstrong faz a estreia ao lado do navegador Shane Byrne, após uma campanha de destaque no Europeu de Rali da FIA, enquanto o companheiro de equipe, Josh McErlean, e o navegador Eoin Treacy, permanecem no grupo para uma segunda temporada completa, enorme experiência em 2025. A temporada começa com o tradicional Rali de Monte Carlo, no fim de janeiro.
A Nascar também é destaque com a Penske, RFK Racing e Front Row Motorsports. O campeonato, agora em novo formato com o retorno do Chase, tem início no dia 15 de fevereiro com a emblemática Daytona 500.
Portanto, ao celebrar 125 anos, a marca entrega um projeto amplo e audacioso, o que coloca também a América do Sul neste mapa de inovação e tecnologia. E é impossível não imaginar que um programa desta grandeza não gere frutos importantes e duradouros por aqui também.
Fonte: Grande Prêmio

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