Depois de conquistar posições de liderança em setores como veículos elétricos, eletrônicos e painéis solares, a China está direcionando sua estratégia de desenvolvimento para o agronegócio. O objetivo é reduzir a dependência de alimentos importados e, ao mesmo tempo, ampliar o controle sobre etapas importantes da cadeia de produção de alimentos.
A iniciativa ganhou força diante das recentes tensões comerciais e dos impactos provocados por conflitos internacionais sobre o fornecimento de alimentos e fertilizantes. Para Pequim, a dependência de produtos agrícolas estrangeiros representa uma vulnerabilidade estratégica.
Entre as prioridades está a soja. A China pretende aumentar a produtividade das áreas atualmente cultivadas e investir na recuperação de terrenos considerados pouco férteis. Com isso, a produção doméstica poderia crescer de aproximadamente 21 milhões para 28,6 milhões de toneladas até 2034.
Outra frente envolve a alimentação animal. O país trabalha para reduzir a quantidade de farelo de soja utilizada nas rações, medida que poderia diminuir em quase 40% o consumo destinado a essa finalidade nos próximos cinco anos.
Mesmo com os investimentos para ampliar a produção interna, especialistas avaliam que a China continuará precisando importar grandes volumes de alimentos. O Brasil, portanto, deve continuar entre os principais fornecedores, mas poderá enfrentar mudanças no perfil da demanda chinesa.
Na carne bovina, por exemplo, o Brasil responde atualmente por cerca de 40% das compras internacionais da China. A escala e a competitividade brasileira tornam o país um fornecedor difícil de substituir, embora Pequim esteja buscando diversificar suas fontes de abastecimento.
Para especialistas, a transformação representa um novo momento na relação entre os dois países. Além da tradicional compra e venda de commodities, podem surgir oportunidades de cooperação em áreas como tecnologia, inovação, logística, sanidade e segurança alimentar.
A estratégia chinesa segue uma lógica semelhante à utilizada para desenvolver sua indústria: investimento em tecnologia, pesquisa, produtividade e integração das cadeias produtivas. A mudança pode trazer impactos importantes para o mercado agrícola mundial e exigir adaptações dos produtores e exportadores brasileiros.
Fonte: Brazil Journal — “A China é a fábrica do mundo. Agora quer ser também a fazenda”

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